Serviços financeiros cabem no celular, mas ainda precisam caber na vida das pessoas
Instituições financeiras enfrentam o desafio de combinar eficiência tecnológica com confiança e personalização
A transformação digital já deixou de ser uma tendência para se tornar parte estrutural do mercado financeiro brasileiro. Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, 83% das transações bancárias realizadas no país em 2025 ocorreram por canais digitais, enquanto o mobile banking, sozinho, respondeu por 78% das operações.
Além disso, mais de 50% das instituições financeiras já estão escalando iniciativas de IA, de acordo com a edição 2026 da pesquisa da Febraban. A tecnologia pode apoiar desde o atendimento e a personalização de produtos até a análise de dados, a prevenção a fraudes e a gestão de riscos.
Tecnologia e confiança
O desafio, porém, está em garantir que mais tecnologia não signifique menos confiança, especialmente em um setor no qual decisões podem impactar diretamente a vida financeira das pessoas. É justamente nessa discussão que o cooperativismo de crédito encontra uma oportunidade.
Realizada em julho, em Sydney, a Conferência Mundial das Cooperativas de Crédito de 2026 reuniu mais de 2,4 mil profissionais de 39 países para discutir inovação, liderança e o futuro das finanças cooperativas.
Entre as questões colocadas pelo movimento global está justamente como incorporar novas tecnologias sem perder a essência do modelo: instituições pertencentes aos próprios associados e conectadas às comunidades onde atuam.
Digitalização e proximidade
O celular facilita operações, amplia o acesso e torna os serviços mais convenientes; o relacionamento, por sua vez, pode continuar sendo fundamental em decisões que exigem confiança e conhecimento da realidade de cada associado.
Em posicionamento publicado em 2026, o World Councilof Credit Unions destacou justamente essa transformação: a digitalização pode levar a relação baseada na proximidade física para uma espécie de “proximidade digital”, usando dados e personalização para aprofundar o relacionamento com o associado.
Assim, o debate sobre o banco do futuro talvez não seja simplesmente “digital ou físico?”, mas “como usar a tecnologia para tornar o relacionamento financeiro melhor?”.
Oportunidade
Para o cooperativismo de crédito, essa pode ser uma vantagem estratégica. Utilizar IA, dados e canais digitais para ganhar eficiência e escala, sem abrir mão de características como participação, confiança e conhecimento das comunidades, pode e deve ser uma excelente alternativa.
Em um mercado no qual a tecnologia aproxima o serviço financeiro do bolso, o diferencial pode estar justamente em continuar aproximando a instituição das pessoas.




